Nas últimas décadas, as habilidades sociais (HS) tem tomado um importante papel no campo de estudo das pessoas com déficit de aprendizagem e de desenvolvimento (Soresi e Nota, 2000).

As HS podem ser entendidas como “diferentes classes de comportamentos sociais do repertório de um indivíduo, que contribuem para a competência social, favorecendo um relacionamento saudável e produtivo com as demais pessoas” (Del Prette & Del Prette, 2013a, p.31). Algumas dessas classes seriam: autocontrole e expressividade emocional (reconhecer e nomear as próprias emoções e dos outros; tolerar frustrações etc.), empatia (prestar atenção, ouvir e demonstrar interesse pelo outro; inferir sentimentos do interlocutor), assertividade (expressar sentimentos negativos, concordar ou discordar de opiniões, defender os próprios interesses), habilidades sociais acadêmicas (seguir regras ou instruções orais, aguardar a vez para falar, fazer e responder perguntas etc.), dentre outras.

Estudos mostram que crianças com Trissomia do 21 (T21 = Síndrome de Down) em idade escolar com déficit comportamental estão em risco para pior adaptação as demandas da escola e geralmente experimentam dificuldades em alcançar níveis satisfatórios de aceitação social. Estas dificuldades diminuem a qualidade e a quantidade de experiências sociais, resultando em potenciais efeitos negativos na adaptação à vida adulta e em sua integração social (Soresi e Nota, 2000), o que, por sua vez, contribui para desenvolvimento de quadros ansiosos e depressivos nesta população.

Deste modo, é clara a importância de integrar reabilitação e programas que proporcionem treinamento de habilidades sociais para facilitar a inclusão social e melhora da qualidade de vida das pessoas com T21.