“Pessoas com comprometimento intelectual e, em particular, as pessoas com síndrome de Down, são hoje mantidas no mundo da infância muito além do que é necessário. Esse processo de infantilização limita suas potencialidades, o sentimento da sua própria dignidade, sua autoestima e sua contribuição para o crescimento e desenvolvimento da sociedade. Existe nos processos de infantilização das pessoas com comprometimento intelectual um fator de tranquilização, que vale tanto para os pais como para a sociedade. É muito mais fácil para a família pensar que tem que tratar com uma criança do que com um adulto. Com as crianças ‘quase’ sempre sabemos o que fazer, como se comportar, enquanto a imagem do deficiente-adulto é pouco tranquilizadora, já que traz problemas novos e riscos diante dos quais nem sempre estamos preparados. Isso mostra a dificuldade dos pais em reconhecer a maturidade dos filhos com comprometimento intelectual que estaria ligado à fragilidade dos seus processos de transição da adolescência e em como será elaborada a sexualidade, a vida afetiva, a vida independente das pessoas com SD”.

(Lepri, 2012, p. 16)
Lepri, Carlos (2012). Viajantes Inesperados. Campinas: Saberes.